sábado, 3 de dezembro de 2011

        Um  Olhar Transdiciplinar

A educação humana sempre esbarrou nos conceitos e nas particularidades culturais de um povo.
Quando falamos em "um olhar transdiciplinar", logo chegamos a Edgar Morin.
A complexidade do conhecimento e do humano traz na mesma proporção a necessidade de mudanças no que concerne a educação no século XXI. 
Para Morin (2003), a Era Planetária começou no século XVI. Por causa dessa Era faz-se necessário mudanças na educação. Morin ainda afirma que a globalização está ligada a própria Era Planetária. 
Com o caos e o crescente da violência não só ligadas as camadas socialmente carentes, chegando à sala de aula, é premente mudanças nos paradigmas educacionais. É esse olhar transdisciplinar que poderá afetar não só as relações globais bem como o universo individual.
Tendo como base o Relatório Dellors (1996), que traz os quatro pilares da educação apresentados à UNESCO, Morin em parceria com Emilio Roger Ciurana e Raúl Motta escreveram a Educação na Era Planetária. (2003)
Quando Edgar Morin fala da Era Planetária, faz referência ao contexto universal em que estamos inseridos.  Habitamos uma “nave” chamada Terra, que é parte de um dos pequenos sistemas solares de uma das muitas Galáxias que compõem o universo visível e conhecido. (UNESCO, 2005)
Somos parte de um todo. Não há possibilidade de quebrar os elos dentro da realidade humana e a realidade planetária. Tudo está conectado.
Morin ainda diz que é “vital saber quem somos o que nos atinge, o que nos determina, o que nos ameaça, nos esclarece, nos previne e o que talvez possa nos salvar.” (UNESCO, Paris, 2005)
Temos cada vez mais a necessidade de indivíduos com aptidão de aprender e compreender a complexidade dos problemas globais e soluções possíveis.
A fragmentação do sistema de ensino não é a resposta ideal para as mudanças na educação.
Somos sistemas complexos e o conhecimento também tem a mesma complexidade. Enquanto tratarmos de forma individual o conhecimento não será possível alavancar as mudanças e será mais difícil encontrar seres pensantes e autônomos.
Ainda sobre sua palestra na UNESCO em 2005, Morin diz que a educação para a Era Planetária requer três reformas inteiramente interdependentes: Do modo de conhecimento; Do pensamento; Do ensino.
O olhar transdiciplinar de Morin, nada mais é do que a busca na interligação e na complexidade do conhecimento. Deve-se entender que o movimento e a evolução tanto do planeta como da própria humanidade nunca nos dará a certeza. Mas é este o maior motivo do pensar de Morin. A incerteza pode quebrar a ilusão do conhecimento.
Quando ele explica a visão como característica particular e intrínseca do observador ele o faz com propriedade de um pensador à frente do seu tempo e com a simplicidade do saber.
Sim, somos uma somatória de experimentos e de características genuínas e que não existe dissociação entre o indivíduo e o seu conhecimento. Então como não interligar os saberes? Suas diferentes áreas.
Em sua palestra de 2005, Morin, diz que o mundo que conhecemos hoje não pode ser apenas baseado na ciência, temos crenças, medos, desejos, políticas, etc. Não existe possibilidade de não entrar no mérito dessas variáveis quando se fala no processo educacional e nas mudanças de paradigmas que a nova estrutura global pede.
Trazendo o frescor do pensar de Morin e as colocações feitas por Claudio de Moura Castro no seu texto sobre EAD – Embromação a Distância?
Moura fala da inovação dos correios ingleses no ensino à distância. O Brasil pode usar como referência o Instituto Universal Brasileiro, pioneiro no estudo via correios.
A ideia estava presente mas não caracterizada. Com o avanço das tecnologias e a facilidade de acesso aos meios de comunicação digital, facilitou o acesso a informação e a comunicação social.
O EAD traz uma visão inclusiva e um diferencial na educação. Claro que existem cursos e Cursos, assim como existem médicos e Médicos. A seleção deve passar pelo crivo e a crítica individual. A falta do contato pessoal e físico com o educador elimina o paternalismo e ganha com a capacidade e responsabilidade do educando. O indivíduo conta com sua capacidade e habilidade na busca de informação, na formatação e desenvolvimento da mesma. Promove-se a crítica, a autonomia e a complexidade do saber, trabalhando a tessitura das várias áreas do conhecimento.

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