O objetivo deste texto é o de participar dos milhares de debates sobre o uso das Tecnologias da Informação e Comunicação. Para tanto, partiremos da premissa de Freire em que ele afirma: “O avanço da ciência e da tecnologia não é tarefa de demônios, mas sim a expressão da criatividade humana” (FREIRE, 1984a, p.1 - 6).
Como observadores de uma história sócio – econômica e cultural, percebemos que a principio, os homens temeram e muito os avanços tecnológicos; cada avanço ao seu tempo (TV, Rádio, Cinema, Celular, Computadores, etc.) despertava no homem, ou sua curiosidade ou seu temor para enfrentá-los, contudo se nota que as tecnologias são “grandes expressões da criatividade humana” (FREIRE, 1968a, p. 96 - 98); então por quê não usá-las em seu favor? Mas dentro dessa teoria de Freire, somos sabedores de que essas ferramentas chegaram como ferramentas de lucros e não de sabedoria como é a perspectiva de hoje, não dissociando uma da outra, porém interligadas mudaram os hábitos, costumes e letramentos da nossa sociedade em que os seres se tornaram aprendentes e necessitam conviver juntos; pois ultrapassamos as fronteiras das esferas éticas da sociedade do conhecimento e, como diz Freire:
A compreensão crítica da tecnologia, da qual a educação de que precisamos deve estar infundida, e a que vê nela uma intervenção crescentemente sofisticada no mundo a ser necessariamente submetida a crivo político e ético. Quanto maior vem sendo a importância da tecnologia hoje tanto mais se afirma a necessidade de rigorosa vigilância ética sobre ela. De uma ética a serviço das gentes, de sua vocação ontológica, a do ser mais e não de uma ética estreita e malvada, como a do lucro, a do mercado (FREIRE, 2000, p. 101-102).
Concluímos, então, que as TICs têm uma enorme relevância em nossa atualidade para o ensino-aprendizado, mas que deve ser repensada como objeto de estudo a serviço dos homens e não dos lucros.
[...] o problema que a geração tem diante de si, sua tarefa, não é a de esperar, pensando que o futuro esteja esperando ser descoberto pela geração mais astuta. A questão que se coloca é como a gente cria o amanhã através da transformação do hoje. E para mim só há um jeito de transformar esse hoje ou a cultura, é você entranhar-se nela, para depois tê-la como objeto de sua transformação. Para que superemos isso, temos que assumi-la e assumir para mim é um estado que negando a negatividade eu a reconheço para poder criar outra coisa (FREIRE; PASSETI, 1994-1995, p. 42).
Frente ao que diz Freire no trecho acima, conclui-se que a geração de hoje deve ser direcionada por um profissional mediador da educação, preparado para ensinar e aprender, aprender para ensinar e, “Nunca, talvez, a frase quase feita – exercer o controle sobre a tecnologia e pô-la a serviço dos seres humanos – teve tanta urgência de virar fato quanto hoje, em defesa da liberdade mesma, sem a qual o sonho da democracia se esvai” (FREIRE, 1992, p. 133).
Encerramos por ora esse assunto, que será discutido posteriormente em outras páginas, mas atentemos que as TICs têm um efeito atômico nas gerações e o enfrentamento dos novos letramentos como finalidade de sua importância, postamos aqui um vídeo para sua análise.
Referência Bibliográfica
FREIRE, Paulo.A máquina está a serviço de quem? Revista BITS, p. 6, 1984.
___________.PASSETTI,Edson.Conversação Libertária com Paulo Freire. São Paulo: Imaginação, 1994 – 1995.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da Indignação: cartas pedagógicas e outros escritos. São Paulo; UNESCO, 2000a, p.101 – 102.
___________.Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1968a.
___________.Pedagogia da Esperança: um encontro com a pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992, p.133.
BLACK OR WHITE (videoclipe). Disponível em : <http://youtu.be/F2AitTPI5U0>. Acesso em: 04 dez. 2011.
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